quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
S OU Ç
Vicente Matheus foi o mais emblemático e folclórico presidente do Corínthians, dizem que ele mandou fazer um cheque de 60 mil cruzeiros para pagar uma dívida do clube, mas o tesoureiro perguntou se 60 se escrevia com S ou Ç. Vicente pensou e decidiu: "Faça dois cheques de Cr$30,00.
Certa vez perguntaram se o Sócrates seria vendido ou emprestado e Vicente foi taxativo: "O Sócrates é invendável e imprestável."
Verdade ou mentira não sei, mas reafirmo que Patrícia Amorim é a primeira presidente de um clube de futebol eleita democraticamente para ser presidente de fato e de direito.
CCM
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O EVANGELHO EM VERMELHO E PRETO

Como diria o apresentador Milton Neves: "o futebol é apenas a coisa mais importante dentre as menos importantes". Mas os últimos dias fizeram do futebol um tema de relevância nacional. E isto nada tem a ver com minha arrogância flamenga de hexacampeão. Como rubro-negro saudável (saudável sim, porque torcedor doente é o da torcida arco-iris, normal é ser rubro-negro), quero destacar duas coisas formidáveis que o Hexacampeonato brasileiro do Clube de Regatas do Flamengo proporcionou à sociedade brasileira como um todo e não apenas aos mais de 35 milhões de brasileiros rubro-negros. Quero tentar narrar aqui os dois mais belos gols do Flamengo nesta temporada:
PRIMEIRO GOL
Pela primeira vez temos no comando de um time campeão da primeira divisão do futebol mais importante do mundo um legítimo representante da raça negra. Isto é formidável. Não só pelo fato em si, mas pela denúncia expressa pelo próprio Andrade, ao dizer esperar que sua conquista possa abrir as portas para que técnicos negros dirijam times da primeira divisão.
Não, Andrade não está sendo histérico. Tampouco está se baseando apenas na observação incontestável de que, apesar da grande maioria dos jogadores de futebol serem negros, dentre os técnicos da elite do futebol eles são quase nenhum. Dentre os dirigentes de futebol, nenhum.
Andrade fala como quem sentiu na pele a discriminação de ter sido chamado de urubu por um dirigente do Flamengo, logo que foi anunciada sua contratação para auxiliar técnico ao lado do companheiro Adílio.
Fala do lugar de quem já viu sua efetivação como técnico ser negada pelo argumento de que um negro com problemas de dicção não pode dirigir o maior clube do Brasil.
Fala com a autoridade de quem foi usado por técnicos efetivos para ficar parado sob o sol como barreira, em treinamentos de cobrança falta. Ele que, enquanto jogador, conquistou os maiores títulos da história do flamengo (mundial de clubes, libertadores, quatro campeonatos brasileiros, entre outros).
Andrade é a cara do Brasil, é a cara da simplicidade, a cara do evangelho de Jesus de onde, na verdade, ele retira sua inspiração: "os humilhados serão exaltados".
Ontem Andrade foi eleito o melhor técnico do Brasil !!!!!!!!!!!!!!
links:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Flamengo/0,,MUL1406909-9865,00.html
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Flamengo/0,,MUL1406366-9865,00-ANDRADE+VENCE+PRECONCEITO+E+REVELA+LEMA+OS+HUMILHADOS+SERAO+EXALTADOS.html
SEGUNDO GOL
Pela primeira vez uma mulher irá dirigir o mais importante clube do Brasil. Patrícia Amorim, vereadora, ex-nadadora, será a presidente do Flamengo pelos próximos três anos. Ou seja. Uma das maiores paixões do homem macho brasileiro, o futebol do Flamengo, estará sob o governo de uma mulher. Quantos preconceitos, tabus e tradições futebolísticas caíram por terra nestas eleições da Gávea.
Aquele cara que disse que em Cristo não há judeu nem grego, nem servo nem livre, nem homem e nem mulher; se vivesse nestes dias, torceria pro mengão, certamente. Até imagino o Apóstolo Paulão dizendo aos demais times: "Sejam nossos imitadores..."
Hexagerei?
O DESAFIO DE VIVER E FALAR DA GRAÇA

Eu, por mais que tente disfarçar, sou ainda muito conservador no meu pensamento teológico. Trago, mesmo que relutantemente, muitos resquícios da minha formação de base legalista. Em muitos momentos não consigo discernir se estou sendo mais puritano e pietista do que simplesmente cristão.
Jamais saberei se as interpretações morais que faço do evangelho estão comprometidas pela estrutura ortodoxa da minha formação, ou se são impressões legítimas e relevantes à santidade cristã e à pureza do próprio evangelho. Ninguém é uma tábula rasa. A graça é minha meta, minha ambição, minha obsessão; mas confesso que ainda me sinto preso ao cadáver do homem forjado pela lei moral evangélica que insiste permanecer acorrentado a mim (Rm 7:24). Como disse Paulo, persigo a perfeição, deixando para trás, a cada dia, as coisas que já superei e caminhando insistentemente para a minha verdadeira vocação em Cristo Jesus, que é a plenitude do amor e da misericórdia de Deus (Fl 3:9-14).
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
PEDI, PEDI E FICARÁS ESPERANDO...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009
ANTES DE RESPONDER

A maior parte dos textos sagrados, especialmente os neotestamentários, nasceram de três estímulos básicos: as perguntas que iam surgindo na caminhada comunitária; as acusações feitas ao judaísmo/cristianismo pelos seus opositores e, por último; as heresias que acompanharam a popularização da fé.
Podemos concluir assim que estamos diante de uma literatura basicamente apologética; ou seja, a Bíblia é uma defesa da fé.
Mal comparando, ela não é como um manual explicativo, mas apenas aquela parte final dos manuais onde aparecem soluções para alguns tipos de problemas básicos e recorrentes, mas, no caso da Bíblia, aparecem apenas as soluções, sem o enunciado dos problemas. Logo a Bíblia apesar de ser a regra básica da fé protestante, ela não esgota a revelação. A revelação plena é a Palavra encarnada em Jesus. No entanto, o próprio evangelista João afirma que muito pouco do que Jesus fez e ensinou fora registrado no texto sagrado.
Daí a necessidade de se ter prudência antes de afirmar qualquer dogma ou doutrina sobre qualquer texto que seja. Posto que a revelação sobre a qual nos debruçamos consiste basicamente em respostas cujas perguntas, na maioria das vezes, desconhecemos. As ciências da interpretação (a exegese e a hermenêutica) nos ajudam a diminuir a nossa ignorância contextual e histórica.
Outro cuidado fundamental que o teólogo/pastor deve ter é com a atualização da revelação. Se entendemos que o texto sagrado nasceu de uma necessidade pragmática da comunidade; a teologia deve se submeter ao mesmo critério. Logo, fazer teologia não se limita a interpretar o texto, mas interpretá-lo para o momento presente. Para melhor entendimento podemos estabelecer duas definições para teologia: Teologia é o estudo sobre a revelação (e não o estudo de Deus); e, Teologia é a atualização da revelação (e não apenas sua interpretação).
Por exemplo: um amigo e irmão sinalizou algumas omissões minhas no post anterior, especialmente por eu não ter citado a importância do cristianismo na luta contra a escravização dos negros. Apenas destaquei como a teologia cristã legitimou os processos de discriminação racial baseando-se em distorções de interpretação dos textos sagrados. A crítica do irmão é oportuna e bem vinda porque, certamente, meu texto pode dar uma compreensão equivocada aos que, sem acesso a alguma outra fonte, leia apenas a minha abordagem; teriam estes a impressão de que a única participação do cristianismo nos processos de escravidão tenha sido negativa. Meu olhar pessimista não abrangeu o todo. Portanto é parcial.
Minha parcialidade, entretanto, se justifica na motivação e na intenção do texto, que não tinha a pretensão de dizer sobre o papel do cristianismo nos processos da escravização dos negros, mas dizia apenas das teologias cristãs que fundamentaram os argumentos que, durante séculos, legitimaram a abominável inferiorização da raça negra em relação aos brancos.
Do mesmo modo, interpretações de textos pontuais, transformaram o apóstolo Paulo no “pai do machismo”. Para além de usarem seus textos (parciais e específicos a um contexto) para imporem um legalismo de costumes às igrejas; o que Paulo jamais incentivou. Logo Paulo, o maior teólogo da graça e da liberdade cristã.
A tentação de responder perguntas que não foram feitas e tentar interpretar a Bíblia pela Bíblia, sem olhar a relevância do tema para o momento presente, é um estímulo e tanto para as baboseiras teológicas que enchem as prateleiras evangélicas. As pessoas estão em crise de casamento e os teólogos escrevem livros sobre o juízo final; filhos estão se perdendo e fazem seminários de prosperidade. A corrupção e a miséria se propagam, e fazem correntes de cura interior; a violência arrebenta a cabeça dos inocentes pela rua, e discutem se usar piercing é pecado.
Portanto, colegas pastores e teólogos, antes de escreverem seus livros, agendarem seus congressos, convocarem suas marchas pra Jesus e apresentarem seus programas de TV; lembrem da frase mais famosa do Galinho Chicken Little:
“Qual foi a pergunta?”
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
ANTES DE ME QUEIMAREM

Recebi boas críticas sobre o último post. Inclusive fui acusado de desconhecer a Bíblia quanto às informações relacionadas à migração dos filhos de Cão (ou Cam) para a África. Como se eu estivesse questionando a afirmação Bíblica. O que não é o caso.
Os que me conhecem sabem que dificilmente eu cometeria tal equívoco quanto a uma informação tão clara das Sagradas Escrituras. Então, para que não me chamem de herege, vou explicar minha indignação teológica quanto a esta informação:
Não questiono a informação de que os filhos de Cão povoaram a África. Está escrito!
Questiono, sim, a ideia de que a maldição de Noé esteja associada à cor negra da cútis africana e aos processos de escravidão que o Cristianismo avalizou.
A pele preta, segundo creio, está no DNA humano desde o Éden. Sua origem remonta o projeto original de Deus, e não uma suposta maldição posterior. E nada mais conveniente do que situar o Éden na África, para autorizar minha afirmação, vejam o link: http://www.cebi.org.br/noticia-impressao.php?noticiaId=133.
Crer diferente disso, especialmente para os fundamentalistas que me acusam de relativizar a Bíblia, seria descrer o criacionismo e submeter a teologia ao evolucionismo darwiniano. Crer que os filhos de Cão foram amaldiçoados, depois migraram para a África e depois adquiriram pele escura; seria afirmar que o homem evoluiu a partir de mutações, dependendo do ambiente onde habitou; o que não desejo descartar como hipótese; todavia os fundamentalistas que me resistem deveriam fazê-lo, para, por fim, abandonarem sua teoria “canina” como justificativa para a pele preta, a escravização e a pobreza dos africanos. É melhor admitir que produziu-se uma oportunista teologia racista.
Espero que esta breve ponderação ajude os escandalizados a me pouparem momentaneamente da fogueira; mas como não gosto de vida fácil, vou provocar outra vez:
O relato Bíblico, especialmente no Pentateuco, é uma transcrição das mais diversas tradições orais. A tradição oral pode sofrer variações de tempo, lugar e até de personagens.
Exemplos na Bíblia:
1) Temos duas tradições da criação; numa delas são criados macho e fêmea como um ato único de Deus; na outra o macho tem primazia em relação à fêmea.
2) Temos dois relatos de dilúvio. As quantidades de casais de animais salvos variam de um relato para o outro.
3) Abraão viaja duas vezes com Sara e é obrigado a mentir sobre sua relação conjugal. Os relatos são quase idênticos, não fossem as mudanças de local e personagens coadjuvantes.
4) Para o mesmo evento, narrado em Crônicas e em Samuel, Davi convoca o senso, ora instigado por Deus, ora pelo diabo; depende do escriba.
Considerando apenas os dois primeiros exemplos, poderíamos inferir que, no primeiro caso, uma sociedade patriarcal fez nascer um relato androcêntrico da criação, enquanto um relato mais popular não diferencia macho e fêmea no ato criador.
Do mesmo modo, uma tradição mais primitiva não distinguiria os animais em categorias de pureza para colocá-los na arca, esta consideração se aproxima bem mais das tradições sacerdotais posteriores. Vejamos que a lei que nomeia os animais como imundos ou puros é posterior ao êxodo, como este critério poderia ter estado presente no evento do dilúvio?
Admitindo que o relato escrito dista algumas centenas de anos do evento original, poderíamos assumir, com honestidade, que elementos da cultura e da sociedade do tempo onde o texto nasce, poderiam determinar adaptações ao evento original? Possivelmente.
Daí a opção de muitos teólogos de entender os relatos da pré-história bíblica (antes da formação de Israel como nação) como mitológicos; não porque sejam eventos fictícios, mas por serem relatos da interpretação socio-teológica do evento real, e não o evento histórico em si. (Existem, pelo menos, três possíveis tradições que explicariam as variações do texto do pentateuco: a Heloista, a Javista e a Sacerdotal).
Onde eu quero chegar?
Tudo que fiz até agora foi fundamentar a “heresia” pela qual os senhores me lançarão, sem piedade, na fogueira inquisitória do vosso evangelho “amoroso”, mas devagar com o fogo, deixa eu terminar...
Quando lemos a Bíblia, ingenuamente somos levados a crer que o texto é simultâneo ao evento (esta ingenuidade é uma dádiva e uma bênção bem-vinda para quem deseja ler com espiritualmente, mas perigosa para quem quer fazer teologia); a verdade é que, na maioria das vezes, o texto nasce para narrar eventos passados como tentativa de responder a demandas presentes. Por isso os eventos passados tendem a serem vestidos com roupas do momento presente, e por isso tornam-se mitológicos (eis a melhor definição que já ouvi sobre mito: “é uma verdade vestida com muitas roupas”).
Portanto, a ocupação dos continentes não se explica a partir do texto que diz para onde foram os filhos de Cão, de Cem ou Jafé; o texto é quem surge, posteriormente, para responder ao fato. Ou seja, quando o texto nasceu Israel já havia passado pela escravidão na África, e já enfrentava resistência dos povos árabes, mesopotâmios e dos hititas/europeus, entre outros; e não é de se admirar que, nos textos fabulosos das genealogias dos povos, Israel descende sempre daqueles sobre quem recaem as promessas de prosperidade e dominação, enquanto sobre os demais recaem as maldições e a submissão.
Me parece conveniente, se eu fosse hebreu e redator a Bíblia, que me apegasse a profecias/maldições que afirmassem que africanos, árabes, babilônicos e todos os meus inimigos históricos, devam se submeter a mim, simplesmente porque em algum lugar no passado, alguma profecia determinou o futuro dessa gente por toda era dos homens.
O problema é que, em algum momento, homens perversos, que nada tem a ver com a minha história sagrada, escravizariam os africanos e lançariam mão do meu livro sagrado, para justificar seus atos desumanos, e chamariam isso de teologia.
Eu digo que é uma interpretação racista, cínica e demoníaca. E reafirmo, contra todo dogma que tentar me silenciar. Se em algum lugar está escrito na Bíblia que a pobreza, a miséria e a escravidão de um ser humano é determinação divina, então o deus que determinou isto não é o Deus que se revelou a mim através de Jesus.
Tenho dito.
Agora podem acender a fogueira.
Fabio Castro